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Confira o que aconteceu no 9º Encontro Nacional da ABII


Sucesso! Esta é a palavra que sintetiza os dois dias do 9º Encontro Nacional da ABII (Associação Brasileira de Internet Industrial). Realizado nos dias 5 e 6 de junho na USP, em São Paulo. Os 110 participantes de 70 empresas tiveram a oportunidade de conhecer o que há de mais disruptivo nos cenários da Indústria 4.0 e IIoT.

O evento foi aberto por Eduardo Zancul, professor da Escola Politécnica da USP. Em sua fala, discorreu sobre a tradição da USP em revelar grandes talentos e a importância da cooperação entre as universidades e as empresas, destacando que cada vez mais o meio acadêmico tem quebrado barreiras em busca de cooperação.

José Rizzo, presidente da ABII, apoiou a afirmação de Zancul, dizendo que é a aproximação entre setor privado e universidade é muito boa e necessária. Rizzo, que acabou de voltar de uma missão no Canadá, explicou que neste país o motor para o desenvolvimento de novas tecnologias é a combinação entre os setores privado e as universidades.

Como parte da abertura o presidente então deu a palavra às novas associadas, que tiveram a oportunidade de se apresentar:

Fluipress: Empresa que tem foco na distribuição de sistemas hidráulicos e pneumáticos, além de desenvolvimento de máquinas especiais;

GTA: É integradora de automação, tendo como principais nichos os de Alimentos, Bebidas, Marítima e Mineração;

Ladder: Companhia especializada em distribuição de produtos de tecnologia;

Microsoft: Uma das gigantes da tecnologia mundial, a empresa se posiciona como uma provedora de plataformas disruptivas.

Pepperl+Fuchs: Desenvolve soluções pioneiras em sensores industriais, PLCs (Controladores Lógicos Programáveis) e plataformas em nuvem;

Tigre: Produz por ano mais de 15 mil t de tubos e conexões, além de trabalhar nos segmentos de metais, torneiras e molduras de janelas, entre outros.

Painéis

O primeiro grande tema discutido foi ‘Nem tudo acontece na Nuvem - O papel central da Computação de Borda em IoT’, mediado por Claudio Goldbach, diretor da ABII. O especialista que introduziu o assunto foi o prof. Marcelo Zuffo, da USP, que falou sobre a Caninos Loucos, uma plataforma nacional de Single Board Computers para IoT.

“A Edge Computing traz desafios muito mais complexos. Na borda existe muito mais potencial que na nuvem e faltam tecnologias para suportar as possibilidades. A Caninos Loucos tem como missão desenvolver equipamentos como superservidores, drones, o módulo computacional Labrador e o dispositivo de borda Pulga. E já temos projetos piloto com a Polícia Militar e também a Prefeitura de São Paulo”, explica Zuffo.

O objetivo destes avanços em Computação de Borda é semear um terreno ainda virgem, onde quem sair na frente poderá ser capaz de ditar as regras. “Existe uma guerra entre China e Estados Unidos e o Brasil é capaz de ser exportador de novas tecnologias, não apenas um consumidor.”

Já Cédric Craze, diretor da Pollux Automation, explicou sobre as maneiras que as tecnologias de borda já são utilizadas na indústria da manufatura. “Elas existem desde a Indústria 3.0 com a utilização de equipamentos que tinham programação, recursos de comunicação e linguagem limitados. Aos poucos os equipamentos foram se desenvolvendo, principalmente pela Fundação Raspberry, que começou a democratizar os projetos de uma maneira que eles se barateassem. Hoje é possível até utilizar um sistema operacional”, pontuou.

É uma mudança que está sendo seguida por outras empresas. Inclusive a Pollux trabalha para desenvolver soluções que utilizem edge computing e fazem processamento local com baixo consumo elétrico. “A parte de robôs se locomoverem é um desafio, mas ao mesmo tempo é possível, em tempo real, embarcar e atualizar as tecnologias utilizadas”, comemora Craze.

Outra dificuldade citada por Cédric foi a capacitação das equipes que fazem as manutenções dos equipamentos de borda, que hoje é um trabalho realizado pelo departamento de TI. Isso sem dizer da velocidade de adaptação: colocar um robô para funcionar gera mudança cultural na empresa, é preciso que as pessoas que lidam com o robô aprendam a inseri-lo no cotidiano.

O segundo painel do dia foi “Cybersecurity sem medo: como analisar para não paralisar”, realizado com a moderação de Robson Klug, líder da Força Tarefa de Cibersegurança da ABII. Na apresentação “Gestão da segurança cibernética” Ricardo Mühlbauer, analista especialista de Segurança da Informação da Mercedes-Benz do Brasil, fez um panorama sobre os principais ataques voltados para sistemas industriais, enfatizando o estrago feito pelo ramsonware Wannacry na sua empresa durante o ano de 2017.

“A produção da fábrica de cabines localizada em Juiz de Fora-MG ficou parada por dois dias. E como outras empresas do Grupo Daimler também foram atingidas, em 2019 foi iniciado um projeto que tem como objetivo integrar as tecnologias da Indústria 4.0”, explicou.

Para o especialista, os ataques podem vir de qualquer lado. A rede pode estar protegida, mas um vetor qualquer (como um pendrive) pode ser capaz de infectar um computador e burlar todo o sistema. E a solução é ter uma gestão ativa.

“É preciso envolver o corpo diretivo, sendo o primeiro passo para o início de uma política de governança. As pessoas muitas vezes são a porta de entrada para um ataque, então é preciso que essa segurança também seja levada em conta”, ensina.

E quais então são os problemas de segurança dos dispositivos que fazem parte da IoT? Foi com essa pergunta que Ródnei Pires, analista de segurança da Petrobras, iniciou sua apresentação. Ele falou sobre o potencial destrutivo de botnets como a Mirai, assim como a perda de controle de dispositivos IoT, que são alterados para uso indevido. “Além da manipulação dos dados que esses dispositivos geram. A realidade é que a maioria dos dispositivos IoT são inseguros, já que não foram projetados para terem funções internas de segurança.”

Para então garantir a segurança é necessário entender que tipos de dispositivos serão usados. “É importante fazer uma avaliação de riscos que inclua um estudo de como e onde os dados serão usados, quem terá acesso, os tipos de informações coletadas e como vai funcionar a privacidade das informações. Para só então pensar em como garantir a segurança adequada”, alertou Ródnei Pires.

O último tema do dia foi “IoT e Indústria 4.0 na prática: conheça cases verde-amarelos”. A exposição começou com Gustavo Gattass, da Microsoft, que explicou conceitos sobre o futuro da conectividade, que é realizado com integração, análise de dados, Inteligência Artificial e sem nunca se esquecer da segurança. O especialista também falou sobre como a nuvem Azure se relaciona a IoT, além do funcionamento da sua estrutura e benefícios da adoção.

Cases verde-amarelos

O encontro também destacou sete histórias de sucesso relatadas pelos associados ABII. Confira:

- GoEPIK: Digitalizou o processo de Manutenção Autônoma na Renault. O cliente montou um fluxograma e workflow da plataforma, desde decisões simples até realidade aumentada e reconhecimento de voz. Conseguem ter imagens do que foi feito ou não. Modelo funciona na nuvem e o projeto piloto de Curitiba hoje será estendido para Latam.

- iaFox: Mostrou uma solução de Indústria 4.0 implementada em uma fábrica de plásticos que fornece equipamentos para a área de medição e distribuição elétrica. É uma pequena empresa, desmistificando que não é necessário ser grande para investir em computação em nuvem.

Proporcionou o início da Cultura 4.0 dentro da fábrica. Um coletor conecta diversos setores na empresa e televisores espalhados fornecem indicadores que garantem que as informações estejam disponíveis para todos os usuários, virtualizando a fábrica. Resultados: eliminaram a terceirização, reduziram 35% da sucata, meta de 95% de ritmo atingida e eliminação de apontamento de papel.

- ARC Informatique: O Hospital de Grenoble, na França, tinha a necessidade de monitorar a temperatura e umidade para criar um ambiente menos propenso à infecções hospitalares. Começou a monitorar com sensores inteligentes LoraWAN ligados a um gateway. Tudo sem fio, uma exigência do hospital. Resolveu de maneira fácil problemas que tinha há muito tempo e o cliente tem total domínio do sistema para fazer manutenções quando necessário.

- TERMICA Solutions: Forno é uma caixa suja, quente e que não é agradável estar perto. Ao instalar um hardware no equipamento com sensores é possível ter informações e intervir quando necessário. O objetivo é que os funcionários trabalhem com maior eficiência e total rastreabilidade.

As falhas são enviadas via SMS ou e-mail e os gestores têm ganhos no processo, se beneficiando com a Indústria 4.0. Um cliente implantou os equipamentos e teve como resultados um aumento de produtividade de 26,6% e redução de custos de 9,6%.

- Pollux: Hoje o consumidor está cada vez mais informado, chega na loja já sabendo tudo sobre o produto. Ele é impaciente, quer o produto personalizado e não tem apegos à marca. Um grande desafio para as indústrias, que desejam um mix menor e maior escalabilidade.

O primeiro case da Pollux apresentado foi com a Fiat, que pediu ajuda para permitir que o consumidor final tivesse a possibilidade de customizar seu veículo e que ele fosse entregue no menor tempo possível. A produção é inteligente, qualificada e a serviço do cliente.

Já o segundo case tem como cliente a Nestlé Dolce Gusto. É o projeto “Do seu jeito”, onde o consumidor pode personalizar o seu pedido, combinando as bebidas preferidas sem limites mínimos e recebendo o pedido em casa. É o primeiro projeto do tipo no mundo! Há uma integração do e-commerce com o sistema da Pollux, que faz a separação e montagem dos pedidos. Tudo com robôs.

- RIO Analytics: O desafio de alto custo de manutenção e inspeção de bombas centrífugas submarinas. Aplicou a plataforma Kairos para fazer predições de falhas. Não tinha histórico de falhas anteriores, como também não sabia quais algoritmos e modelagens usar, além de não ter ideia de quais falhas poderiam ser previstas.

Colocou todas as variáveis em um dashboard. Conseguiu gerar valor e hoje é possível prever falhas a partir da perda de performance, identificando sensores como possíveis causa raiz.

Matchmaking

Momento de networking, a sessão “Matchmaking - Conectando-se ao ecossistema ABII” foi conduzida por André Pereira (Pollux), líder desta Força Tarefa dentro da ABII.

Os participantes inicialmente se agruparam em cinco ilhas de interesse conforme afinidade e área de atuação da empresa em que atuam: Inteligência Artificial e Machine Learning; Realidade virtual e Aumentada; IoT; Robótica e Cybersecurity. A cada seis minutos uma nova rodada de conversas acontecia e os associados se apresentavam, trocavam cartões físicos ou contatos do LinkedIn via QR Code.

Segundo dia

O segundo dia de evento foi reservado apenas para os associados. A parte da manhã ficou dedicada às atualizações das Forças-Tarefa. Conheça alguns temas: Definir Requisitos Mínimos para Adoção Rápida da IIoT, Estabelecer Relações e Acordos de Cooperação Nacionais e Internacionais e Remover Obstáculos Relacionados à Cybersecurity.

Já o período da tarde foi dedicado a visitas a algumas instalações inovadoras da USP. A primeira delas foi ao CITI, uma linha de produção de placas com foco em IoT, seguida de uma visita à Fábrica do Futuro. Neste ambiente foi demonstrado um modelo de Indústria 4.0 com uma linha de produção de skates personalizados.

10º Encontro Nacional da ABII

O próximo Encontro Nacional da ABII já tem data e local confirmados: 11 e 12 de setembro, no Ágora Tech Park, que fica em Joinville-SC.

Ficou animado com todas as discussões realizadas em São Paulo nos dois dias? O Décimo Encontro Nacional promete outros assuntos inovadores!

Mas não é necessário esperar até setembro para ter acesso ao que há de novo em IIoT e Indústria 4.0. Faça parte da ABII agora mesmo. Para mais informações, entre em contato com a nossa equipe!


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