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  • Genara Rigotti

Entrevista: Jordana Carvalho Arruda, líder do GT Tecnologia da ABII


Jordana Carvalho Arruda assumiu a liderança do GT Tecnologia da Associação Brasileira de Internet Industrial (ABII) ao lado de Robson Klug, em fevereiro de 2021. Customer Success da Pollux, Jordana é formada pela UFSC em engenharia de materiais, com MBA em Gestão de Negócios na USP/Esalq. Nesta entrevista, ela conta um pouco sobre a sua trajetória, desafios, aprendizados e inspirações. Também avalia a importância da ABII no momento atual.


A entrevista é uma continuidade da série iniciada em 2020, com líderes e diretores da ABII. É uma forma de inspirar e estimular a participação neste movimento. A ABII completa cinco anos de fundação em agosto de 2021 e atua com o objetivo de promover o crescimento e o fortalecimento da indústria 4.0 e da IIoT (Industrial Internet of Things) no Brasil.

Boa leitura!

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Conte sobre sua trajetória profissional. Como foi o início e como é hoje?

Jordana - Iniciei minha trajetória profissional já me apaixonando por uma das tecnologias habilitadoras da indústria 4.0: a manufatura aditiva. Trabalhei cinco anos com tecnologias laser: marcação, gravação, corte, seguido da fusão seletiva a laser (SLM) e deposição de metal a laser (LMD). Me encantava estudar como os processamentos não convencionais de materiais tinham grande potencial de impacto na vida das pessoas, nas mais diversas formas. Nutrida por esse desejo de impactar a vida das pessoas, comecei a abrir os olhos para outras formas de inovar e de relacionar este conceito com o mundo dos negócios. Assim que iniciei minha trajetória na Pollux, passei a conhecer as diferentes tecnologias que estão guiando nossos negócios e nossa sociedade atualmente. Esta oportunidade me abriu muitas portas para novos projetos e hoje me engajo em projetos que envolvem empreendedorismo de impacto social, diversidade e inclusão, educação, olhando sempre para a conexão entre os pilares de tecnologia, negócios e pessoas.


Você continua estudando? Como o estudo se encaixa na sua rotina atual?

Jordana - Sim. Tenho três formas principais de aprendizado:

  • Cursos: sempre gostei e funcionei bem com cursos. Procuro intercalar projetos longos, com curtos. Finalizei meu MBA em gestão de negócios em 2020, e sempre faço cursos ou palestras que me capacitem em soft skills ou hard skills. O mestrado pode vir a ser o próximo projeto mais longo.

  • Participação de projetos: uma forma que tem se mostrado muito efetiva no meu aprendizado é participar de projetos, que tem como base a troca de experiências. Isso me faz captar muitas dicas para um estudo mais aprofundado baseado na leitura e também aplicar o ciclo de aprendizado mais efetivo que levo comigo: aprender para ensinar, ensinar para aprender.

  • Leitura: há muito tempo minha leitura de cabeceira é sobre negócios e comportamento humano. Tendo a demorar um pouco mais na leitura para aplicar o contexto no meu dia a dia, e realmente tirar um aprendizado mais profundo e me transformar.


Qual foi o momento de maior aprendizado profissional?

Jordana - A descoberta da liderança tem sido o meu maior aprendizado profissional. Estar em algum contexto de troca de experiências, em uma posição de influenciar, inspirar e ajudar pessoas, independentemente do status ou cargo, tem sido não apenas um grande aprendizado, mas me ajudado a encontrar meu propósito pessoal, de impactar e ajudar pessoas.


Teve alguma oportunidade que você deixou passar e se arrepende? Ou ao contrário, teve uma oportunidade que você abraçou e só depois percebeu o quanto ela mudou o roteiro da sua vida?

Jordana - Não me arrependo de deixar passar nenhuma oportunidade na minha vida. Estou sempre buscando me desafiar e crescer de alguma forma e me jogando de cabeça. Eu procuro sempre exercer a tática do sim, a tática de dizer sim antes do meu sabotador tentar me dizer que eu não sou capaz. Ainda assim, a síndrome do impostor tenta me pregar algumas peças, quando eu aceito alguma oportunidade nova e desafiadora. Por alguns instantes me preocupo que não terei capacidade de estar ali e exercer aquele papel, mas logo entendo que a vulnerabilidade é minha maior força, estou aqui para aprender e só aprenderei tentando.


Uma dica para um jovem que está iniciando sua jornada profissional:

Jordana - A minha dica para o jovem é algo que vejo que já estão fazendo muito melhor que a minha geração: buscando conexões humanas e reais em sua trajetória profissional e não abandonando seu lado humano. O amor e a paixão pelo que fazemos é o verdadeiro combustível para nossa trajetória e é o que dará sentido para nossas vidas. Além disso, cada particularidade nossa importa, e a mensagem que eu deixo para o jovem é não tentar se encaixar em caixinhas. Seja você mesmo, esteja aberto a aprender, e principalmente a aprender com pessoas diferentes de você. Seja inclusivo e aberto para ser mais completo. Não busque ser um bom profissional, busque ser um bom ser humano. O resto acontecerá mais naturalmente do que você imagina.


Como você chegou a ABII e começou a participar do GT?

Jordana - A Pollux desde o início é uma protagonista na ABII. Em 2019 eu trabalhava no time do Gustavo Baumgarten, que tem uma participação ativa na ABII. Fui muito inspirada por ele neste voluntariado, e desde o início ele conseguiu passar o sentimento de acolhimento que existe dentro da ABII, de ter lugar para todo mundo que queira fazer a diferença no nosso país. Meu primeiro encontro com a ABII foi em Joinville, no Ágora, em agosto de 2019. Lembro de assistir o teatro do "Boteco 4.0" protagonizado pelo Claudio, Sima e Robson e me encantar. Lembro que aquela explicação lúdica do que era indústria 4.0, me fez acreditar que sim, eu poderia fazer parte daquele contexto e contribuir para a missão da ABII. Naquele dia eu disse para mim mesma que nas próximas edições eu estaria participando ativamente e estaria lutando para ver mais mulheres comigo neste contexto. Me inscrevi nos três Grupos de Trabalho (GTs) no começo de 2020 para aprender e contribuir ao máximo com as ações da associação. Foi um lindo e memorável momento ser reconhecida como voluntária do ano no final de 2020 e começar o ano com o desafio de liderar o GT Tecnologia.


O que faz um líder de GT? Qual a importância destes aprendizados no seu desenvolvimento profissional?

Jordana - O papel do líder de GT é o mesmo de qualquer líder em qualquer organização: ajudar o time, inspirar, ser inspirado, influenciar, ser influenciado e fazer com que a trajetória de cada um do time, seja a melhor possível. Os resultados serão consequência. Este desafio tem trazido aprendizados muito grandes para meu desenvolvimento profissional e pessoal. Lemos muito que um líder deve ter pessoas mais capacitadas e especialistas que si no time, em diferentes contextos. Isso faz bem para os resultados desse grupo e se bem feito, contribui para que o aprendizado seja em mão dupla e em constante movimentação. O GT Tecnologia é a consolidação e exemplo perfeito disso. Temos muitas pessoas especialistas em diferentes contextos, que juntas fazem um time forte e que permite uma troca maravilhosa de conhecimento. Esta experiência e modelo é exemplar para o estilo de liderança que acredito caber no ambiente corporativo.


Na sua opinião qual a importância da ABII no atual contexto atual do País?

Jordana - 2020 nos ensinou muito, aprendemos muito como seres humanos, como empresas que representamos e como ABII. Entendemos e assumimos o papel que nos cabe: de impacto no cenário industrial do país. Vivemos em uma era de transformação, não apenas digital, mas em todos os contextos. Novos modelos de negócios surgem diariamente, novas formas de interações com as tecnologias, e novos comportamentos humanos tem sido requeridos e valorizados. Com todo nosso conhecimento como associação, a ABII tem uma responsabilidade social de ajudar as empresas e suas pessoas a passarem por estas transformações com os menores traumas possíveis. O cenário atual no Brasil pede amor e empatia, e a ABII só existe por ter estes sentimentos na sua essência. Com seu poder de alcance e sua visão sistêmica, precisa levar esse lado humano ao tripé de tecnologia, negócios e pessoas, tão falado nas corporações, mais ainda tão confuso em sua forma de conexão.


Especificamente neste momento que ainda estamos enfrentando uma pandemia, qual foi e está sendo o papel da tecnologia?

Jordana - Sempre acreditei que a tecnologia é uma ferramenta, que deve ser usada para melhorar a vida das pessoas. Isso não mudou, pelo contrário, só se tornou ainda mais importante no contexto atual. Eu diria que agora, esta ferramenta tem dois papéis extremamente importantes: Nos ajudar a estar o mais seguro/saudável possível e nos ajudar a manter ao máximo nossas conexões humanas. Passamos por séculos e séculos sendo recriminados e impostos a manter nossas emoções guardadas. Finalmente estamos entrando em um contexto em que trazer emoção, coração e ser de fato humano, é sinônimo de fortaleza. Em um momento em que estamos isolados, cabe a tecnologia ser um instrumento que nos ajude a não perder o que nos torna humanos: nossas relações.


Você acredita que vamos para um outro patamar de utilização das tecnologias da indústria 4.0 e da IIoT após a pandemia?

Jordana - De fato a adoção das tecnologias habilitadoras está fazendo mais sentido para muitas empresas, desde que a pandemia se instaurou no mundo, e sua adoção está sendo mais facilitada em alguns contextos. Vale ressaltar que a maioria das barreiras enfrentadas pelas empresas, ainda existe, seja ela estrutural e técnicas ou cultural, relacionada às pessoas. São grandes os desafios. Como qualquer transformação, gera caos antes do resultado desejado. Mas acredito que estamos no caminho para termos mais adoção das tecnologias da indústria 4.0.


Qual a importância das pessoas na transformação digital?

Jordana - Toda. Sem as pessoas não existe transformação digital. Existe um caminho a se seguir para vivenciar a transformação digital e no topo dessa pirâmide, estão as pessoas, fazendo todo o processo anterior se tornar uma realidade e ter sucesso ou ser apenas uma prova de conceito fadada ao fracasso.


Quem é seu guru, sua grande inspiração na vida? O que você aprendeu?

Jordana - Tenho a sorte de me inspirar em muitas pessoas, que conheço pessoalmente e não conheço. São pessoas que mudam muito minha vida. Mas minha maior inspiração é minha mãe. Uma professora de português que amava ensinar de formas diferentes seus alunos e descomplicar a gramática. Mas que pela realidade da educação no Brasil, se desmotivou e abandou o magistrado. Precisou se reinventar. Para ela, ser uma servidora pública, passou a ser um objetivo e sonho. Ela voltou a estudar. Acompanhei durante anos, essa mulher extremamente ocupada, virar noites estudando, por ser seu único tempo livre para estudar. Foram várias bolas na trave, e em cada uma delas, sua motivação só aumentava, até que seu objetivo veio. Minha perseverança só existe pelo exemplo que tenho em casa.


Indique um livro (ou um filme, ou uma série, ou um site, ou um canal) que seja inspirador:

Jordana - Nos últimos anos tenho me cercado de livros inspiradores. Mas hoje vou recomendar o primeiro livro fez eu aceitar as minhas próprias ambições e buscar meus propósitos. Tenho certeza de que este livro pode ajudar muitas e muitas mulheres a se encontrarem como profissionais: "Faça Acontecer - Mulheres, Trabalho e A Vontade de Liderar".


Sobre a ABII


A Associação Brasileira de Internet Industrial (ABII), fundada em agosto de 2016, atua com o objetivo de promover o crescimento e o fortalecimento da indústria 4.0 e da IIoT (Industrial Internet of Things) no Brasil. Fomenta o debate entre setores privado, público e acadêmico, a colaboração e o intercâmbio tecnológico e de negócios com associações, empresas e instituições internacionais, a partir do desenvolvimento de tecnologias e inovação. A ABII é signatária do Acordo de Cooperação com o IIC (Industrial Internet Consortium), consórcio criado em 2014, nos Estados Unidos, com o mesmo fim, pela IBM, GE e Intel. Buscando inserir o Brasil nesta revolução, Pollux, Fiesc/Ciesc e Nidec GA (empresa detentora da marca Embraco) uniram-se para fundar a ABII.

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