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Gêmeo Digital: esqueça tudo que você sabe sobre


Por Cláudio Henrique Goldbach

CEO da TERMICA e diretor da ABII


Sabe aquela vontade de poder se clonar para poder dar conta dos seus afazeres? Longas horas semanais dedicadas ao trabalho, compras, finanças pessoais, eventos sociais (mesmo os online), atenção aos entes queridos. Não são só os humanos que estão sentindo isso. Desde que Kevin Ashton cunhou o termo Internet das Coisas, há vinte anos, temos conectado às coisas na Internet. E as coisas estão sendo tão requisitadas que agora veremos a explosão do gêmeo digital. 


Atualmente, a maioria das aplicações requisita diretamente a coisa para obter um dado e gerar uma informação relevante. Digamos que você queira saber se você esqueceu a porta aberta da sua geladeira, estando longe de casa. Vai no seu aplicativo, o qual usa a internet para se conectar diretamente à geladeira, e verifica que a porta está fechada: Ufa! 


Agora, imagine que você queira saber o consumo elétrico da sua geladeira no mês passado e essa funcionalidade não esteja disponível no aplicativo do fabricante da sua geladeira. O fornecedor da aplicação te dirá que precisa criar uma outra conexão à sua geladeira para te fornecer essa informação. O esforço não será pequeno, concorda? Mas você decide encarar já que está considerando a troca da geladeira e quer saber o consumo atual. Acontece que o seu supermercado predileto lança uma funcionalidade que permita que você, através da leitura do código de barras, faça sua lista de compras ali na geladeira. Ou seja, acabou determinado produto, você bipa a embalagem vazia e pronto: está na sua lista de compras. Só que o aplicativo exige que você crie uma outra conexão já que, nem o app da fabricante, nem o software de gestão de energia residencial, te permitem a coleta dos dados dos produtos bipados. No final do dia, você está com apenas uma geladeira, mas já com três conexões da geladeira com o mundo digital. 


Esse é um exemplo hipotético aplicado à internet das nossas coisas, como pessoas físicas. Porém, no mundo da internet das coisas dos negócios (IIoT), isso já está acontecendo. Um fornecedor de serviços cria uma conexão para obter o OEE da máquina, outro cria outra para garantir a rastreabilidade do processo, outro cria uma conexão para a manutenção do ativo e assim por diante. Isso que as soluções digitais estão apenas começando. 


É aqui que entra o gêmeo digital: a “coisa” (gêmeo físico) faz o trabalho que ela foi feita para fazer (gelar, transportar, lavar, entreter, abrir e fechar, filmar, voar, etc.) e o gêmeo digital da “coisa” funciona como um porta-voz, tendo todos os dados e informações sobre a coisa, durante todo o seu ciclo de vida, desde o seu projeto até a sua inutilização. Em outras palavras, o gêmeo físico poderá vestir um boné e uma camisa xadrez aberta e responder às inúmeras requisições: “ – Pergunta lá no Posto... para o meu gêmeo digital!” 


Vários dos atuais problemas de integração das tecnologias habilitadoras da Indústria 4.0 serão resolvidos com a adoção dos gêmeos digitais. Os fabricantes de maquinários entregarão tanto o gêmeo físico quanto o gêmeo digital e os provedores de soluções digitais consultarão os gêmeos digitais para entregar seu valor. Todos ganham!


Esse tema é tão importante que, em 2020, mesmo durante a pandemia, foram criados o Digital Twin Consortium, nos Estados Unidos, e a IDTA - Industrial Digital Twin Association, na Alemanha, ambas entidades que aglutinam empresas, governos e academias para direcionar a consistência no vocabulário, arquitetura, segurança e interoperabilidade de gêmeos digitais. 

 

E, aqui no Brasil, a Associação Brasileira de Internet Industrial (ABII) - referência em temas como IIoT e Indústria 4.0 - está atenta à essa nova onda. Até dezembro, ainda é possível acompanhar uma série de eventos, com muita informação sobre o assunto para diferentes públicos (empresas, profissionais, academia, governo). 


No dia 24 de novembro, durante o 12º Encontro Nacional ABII, a palestra de Richard Mark Soley, diretor executivo da Digital Twin Consortium e de Dan Isaacs, vice-presidente e diretor técnico, Digital Twin Consortium vai tratar do Digital Twin como o principal facilitador para a transformação digital, fornecendo informações essenciais para que os negócios tomem decisões fundamentadas. O painel será às 11 horas, em inglês e sem tradução.


Na apresentação de Soley e Isaacs você entenderá os problemas que o consórcio está buscando resolver e quais são as prioridades. Saberá o que as empresas podem obter das tecnologias digital twin e os benefícios comerciais representativos, com base em casos reais de uso pelo mundo. No dia 25 de novembro, também durante o 12º Encontro Nacional ABII, o Grupo de Trabalho (GT) de Tecnologia também vai abordar o tema com a palestra "Desvendando o gêmeo digital", às 9 horas. 


Com a missão de disseminar o conhecimento ainda mais fortemente entre os associados ABII, o GT criou um grupo de estudos sobre o tema que se reúne todas as quintas-feiras à noite. A participação é aberta a todos os associados. E para finalizar a agenda de 2020, no dia 2 de dezembro, das 17h30 às 19 horas, haverá um fórum técnico, também exclusivo para associados, sobre Gêmeos Digitais. 


Venha você também fazer parte desta transformação: associe-se a ABII!


Serviço


O quê: 12º Encontro Nacional ABII.

Quando: 24 de novembro das 8h30 às 12h30 e 25 de novembro, das 8h30 às 12h.

Onde: ao vivo no YouTube da ABII.

Quanto: gratuito e aberto para quem tiver interesse. Se você quiser fazer a inscrição para ter acesso ao certificado e receber os links de transmissão no seu e-mail, acesse:

https://www.sympla.com.br/12-encontro-nacional-abii__1027467



Sobre a ABII 

A Associação Brasileira de Internet Industrial (ABII), fundada em agosto de 2016, atua com o objetivo de promover o crescimento e o fortalecimento da indústria 4.0 e da IIoT (Industrial Internet of Things). Fomenta o debate entre setores privado, público e acadêmico, a colaboração e o intercâmbio tecnológico e de negócios com associações, empresas e instituições internacionais, a partir do desenvolvimento de tecnologias e inovação. A ABII é signatária do Acordo de Cooperação com o IIC (Industrial Internet Consortium), consórcio criado em 2014, nos Estados Unidos, com o mesmo fim, pela IBM, GE e Intel. Buscando inserir o Brasil nesta revolução, Pollux, Fiesc/Ciesc e Nidec GA (empresa detentora da marca Embraco) uniram-se para fundar a ABII.

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