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  • Genara Rigotti

Impacto econômico será inevitável, mas indústria 4.0 terá papel importante na retomada


Em meio a pandemia de Covid-19, doença respiratória causada pelo novo coronavírus, a primeira preocupação, é claro, é com a saúde da população. Mas como não pensar, analisar e contabilizar o impacto econômico que a crise está promovendo no mundo? É uma situação sem comparativo recente, por isso fica aquela sensação de um mergulho no desconhecido. Três diretores da Associação Brasileira de Internet Industrial (ABII) fazem uma leitura deste cenário no aspecto econômico e falam sobre como a entidade pode atuar neste momento.


Conversamos com o presidente da ABII, José Rizzo; o vice-presidente, Luís Gonzaga Trabasso; e o diretor Rogério Morrone, que também lidera o grupo de trabalho de negócios da entidade. Confira trechos da conversa: Para o presidente da ABII apesar de ser uma situação grave e inédita, é preciso estimular as pessoas a lutarem e buscarem soluções pois o momento também é de união e de solidariedade. "É um momento que requer muita atenção dos líderes à frente das empresas. Ninguém está preparado para o que nós começamos a viver agora no Brasil e vamos viver nos próximos meses. Mesmo num cenário otimista estamos falando de grandes impactos que vão ocorrer por três, quatro meses", analisa Rizzo. Segundo Rizzo, neste momento, fica cada vez mais evidente que há uma divisão de pensamento entre as pessoas (governo, sociedade, empresas): temos o grupo que apoia o lockdown completo para salvar vidas e defende que as questões econômicas sejam vistas depois e temos o grupo que diz que o lockdown será mais perverso para as pessoas a longo prazo em função do desemprego e das perdas econômicas de modo geral.


"Os dois lados tem pontos válidos e não deveríamos ter que fazer uma escolha, mas sim combinar as duas visões. Se o lockdown é importante para o sistema de saúde se preparar, deve ser desta forma. Mas é difícil imaginar um cenário prolongado demais com a economia parada porque aí a gente vai ter sérias dificuldades de recuperação. A saída precisa ser inteligente, buscando o meio do caminho e o menor dano possível. Não é uma solução fácil e vai exigir uma cota de sacrifício de cada um", acredita. Conforme o presidente da ABII, o que cada indústria fez nestes últimos dias é um plano emergencial. "No Brasil, a gente está mais acostumado a solavancos econômicos, mas nada comparado a isso. O ideal é que a gente pudesse dormir hoje, acordasse em agosto/setembro e a vida seguisse, mas não tem outra forma que não seja enfrentar. Tem negócios pouco robustos que vão ter muita dificuldade de passar por este momento. As empresas com um certo capital, apertando o cinto, vão atravessar. Mas de modo geral, a indústria vai depender do suporte que o governo vai poder disponibilizar. Algumas medidas já estão sendo anunciadas pelo governo, mas será preciso mais", ressalta Rizzo. "Possivelmente muitas das soluções para problemas que estão surgindo e vão surgir neste momento, passem pela tecnologia. E neste sentido a ABII pode ajudar, tentando conectar quem tem a necessidades, o problema e quem pode oferecer a solução. Já estamos fazendo isso", reforça. A associação também é um espaço para trocar informações e experiências sobre como as tecnologias IIot e da indústria 4.0 podem ajudar a reduzir os impactos atuais e podem também ajudar na retomada da economia.


"A gente espera que essa crise passe o mais rápido possível e quem fiquem lições para que a gente se prepare melhor para outros momentos como estes."


Preservação e esforço neste momento de crise

Todo o associado da ABII certamente fez um plano de negócios para sua empresa mas nenhum deles deve ter elencado uma pandemia, acredita o vice-presidente da entidade, Luís Gonzaga Trabasso. "Além dos itens tradicionais, tem um, lá no final, que às vezes o pessoal dá pouco importância, que é o mapa de risco. E aí tem duas áreas: a mitigação e a contingência. É sobre a contingência que eu gostaria de falar. Quando já não é mais um risco é uma realidade, é o que estamos vivendo hoje em relação ao Covid-19. A pergunta de todos é o que eu faço agora? E a resposta não é nem um pouco simples pois cada empresa vai precisar responder de acordo com a sua realidade", diz o diretor da ABII.

"Eu tenho duas palavras para relacionar com contingência e com este momento que estamos vivendo: preservação e esforço. Preservar em primeiro lugar a vida, depois o negócio, os empregos, a própria empresa. E esforço no sentido de como fazer isso, no sentido de buscar na criatividade, no histórico de conhecimento e na experiência uma forma de fazer esta preservação (mesmo tendo sido surpreendido por tudo isso) e assim, elaborar uma resposta para o problema que a empresa esta vivenciando", ressalta Gonzaga. Segundo ele, a ABII tem grupos de trabalho e pessoas que podem oferecer suas próprias experiências para os associados, podem contribuir de alguma forma. "A troca de informações e o aproveitamento das diversas experiências é fundamental neste momento e como associação podemos nos ajudar. Acredito que esta troca pode ser a contribuição mais valiosa da ABII, pois temos certeza de uma coisa: vamos sobreviver a tudo isso, vamos incorporar este aprendizado para outros momentos e vamos olhar juntos para o futuro." Na avaliação do diretor não existe risco de darmos passos para trás quando o assunto é internet industrial e indústria 4.0. O que vai acontecer, segundo ele, é talvez "um momento de estabilização, para retomar o voo lá na frente". "A gente já passou por várias revoluções na humanidade e é impossível imaginarmos o mundo sem os avanços conquistados. Imagine o mundo sem a internet, por exemplo. Não tem como. Da mesma forma penso que não tem como haver retrocesso na questão da internet industrial e da indústria 4.0", destaca.


É preciso muita cautela em todos os sentidos

O diretor da ABII Rogério Morrone, que também lidera do grupo de trabalho de negócios da entidade, tenta voltar o olhar para o aspecto humano da fragilidade das pessoas, sem esquecer que haverá o impacto econômico. "Estamos num momento que exige muita atenção e cautela em todos os sentidos, mas sem pânico. Quanto mais a gente conseguir ficar isolado, melhor neste primeiro momento. É uma restrição grande, afeta a todos nós pessoalmente e a indústria é muito impactada, sem dúvidas".


Ele cita o exemplo de fábricas da China, que estão retomando a atividade produtiva dois meses após o pico do surto no país, e pondera que o Brasil ainda terá um longo período de adaptação. "Como a restrição de contato entre as pessoas precisa ser grande, não tem como não refletir no desempenho e no resultado das empresas neste curto prazo. Por mais automatizados que sejam alguns processos nas empresas, sem as pessoas nada acontece", ressalta. Ele acredita que a primeira opção de uma empresa não deve ser a demissão, com equilíbrio entre o cuidado com as pessoas e a sustentabilidade financeira dos negócios. "Todos devem tentar outras ações antes das demissões e o governo terá um papel muito importante de suporte", diz. "As empresas vão precisar elencar prioridades porque os recursos serão limitados. E quanto mais tempo esta situação se estender, maior será o impacto, mesmo em empresas maiores. Por isso, cautela é uma palavra fundamental", aponta Morrone. Segundo ele já é possível ter um aprendizado claro com este momento e que nos exige um pensamento cada vez mais coordenado: "Precisamos estar atentos ao que acontece em todos os lugares do mundo. Estamos todos extremamente interligados. Estamos todos na mesma bolha".

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Sobre a ABII

A Associação Brasileira de Internet Industrial (ABII), fundada em agosto de 2016, atua com o objetivo de promover o crescimento e o fortalecimento da internet industrial e indústria 4.0 no Brasil. Fomenta o debate entre setores privado, público e acadêmico, a colaboração e o intercâmbio tecnológico e de negócios com associações, empresas e instituições internacionais, a partir do desenvolvimento de tecnologias e inovação. A entidade tem 46 empresas associadas. A ABII é signatária do Acordo de Cooperação com o IIC (Industrial Internet Consortium), consórcio criado em 2014, nos Estados Unidos, com o mesmo fim, pela IBM, GE e Intel. Buscando inserir o Brasil nesta revolução, Pollux, FIESC/CIESC e Embraco uniram-se para fundar a ABII.


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